Auxílio mobilidade é um benefício corporativo flexível destinado a custear o deslocamento do colaborador entre sua residência e o trabalho (ou em visitas externas). Diferente do Vale-Transporte tradicional, que é restrito ao transporte público coletivo, o auxílio mobilidade permite o uso em diversos modais, como aplicativos de transporte, abastecimento de veículo próprio, estacionamentos, bicicletas e até manutenção automotiva, adaptando-se à realidade do trabalho híbrido e moderno.
Até pouco tempo atrás, a equação do deslocamento corporativo era simples: a empresa fornecia o Vale-Transporte (VT) e o colaborador pegava o ônibus ou metrô. Essa regra, baseada em uma lei de 1985, funcionou bem por décadas. Mas o mundo do trabalho mudou drasticamente.
Em 2026, com a consolidação do modelo híbrido e a diversificação das formas de ir e vir, o VT tornou-se rígido demais para muitos perfis de profissionais. O que fazer com o colaborador que vai de carro próprio? Ou com aquele que prefere ir de bicicleta? Ou, ainda, com o funcionário que vai ao escritório apenas duas vezes na semana e prefere usar um carro de aplicativo?
Para o RH, essa rigidez gera um problema: o Vale-Transporte muitas vezes é recusado pelo funcionário, que acaba arcando com os custos do deslocamento do próprio bolso, gerando insatisfação.
Neste guia, vamos explicar para o departamento de Recursos Humanos o que é esse benefício, como ele se difere legalmente do VT e, principalmente, como implementá-lo sem criar um passivo trabalhista ou tributário para a empresa.
O que é auxílio mobilidade e como ele funciona?
O auxílio mobilidade nasce da necessidade de flexibilidade. Ele parte da premissa de que a empresa deve ajudar no custeio do trajeto, mas não deve ditar como esse trajeto será feito.
Enquanto o VT “prende” o usuário ao transporte público coletivo, o auxílio mobilidade dá o poder de escolha ao colaborador. Ele funciona, na prática, como um saldo disponibilizado pela empresa (geralmente em um cartão específico ou multibenefícios) que só pode ser gasto em categorias ligadas ao transporte.
Onde ele pode ser usado?
A abrangência depende da política da empresa e da operadora do cartão, mas geralmente inclui:
- Abastecimento: Gasolina, álcool, diesel ou recarga elétrica para quem usa carro próprio.
- Apps de Transporte: Uber, 99 e outros serviços de carona.
- Estacionamento: Pagamento de parquímetros ou estacionamentos privados.
- Micromobilidade: Aluguel de bicicletas compartilhadas e patinetes.
- Manutenção Leve: Pequenos reparos ou troca de pneus (em alguns casos).
Para quem ele é indicado?
Este benefício é ideal para colaboradores que não se encaixam no perfil clássico do VT:
- Quem mora em locais mal servidos de transporte público.
- Quem prioriza o conforto e rapidez do carro próprio ou aplicativo.
- Trabalhadores em modelo híbrido que não possuem rotina fixa de deslocamento.
Qual a diferença entre Vale-Transporte e Auxílio Mobilidade?
Para o profissional de RH e Departamento Pessoal, esta é a seção mais importante. Confundir os dois conceitos pode gerar multas ou processos trabalhistas.
O Vale-Transporte é uma obrigação legal instituída pela Lei nº 7.418/85. A empresa deve oferecer e o colaborador pode aceitar ou recusar.
O Auxílio Mobilidade é um benefício facultativo, geralmente concedido via acordo (individual ou coletivo) como uma forma de atrair e reter talentos, ou como substituto ao VT para quem optou por abrir mão dele.
Veja o comparativo direto:
| Característica | Vale-Transporte (VT) | Auxílio Mobilidade |
| Obrigatoriedade | Obrigatório por Lei (se solicitado). | Opcional (Política de Benefícios). |
| Uso Restrito | Apenas transporte público coletivo. | Multimodal (Carro, App, Bike, etc.). |
| Desconto em Folha | Até 6% do salário básico. | Definido pela empresa (pode ser sem desconto ou com desconto simbólico). |
| Flexibilidade | Nenhuma (rotas fixas). | Total (o colaborador escolhe o dia e o modo). |
| Público | Todos os celetistas. | Geralmente ofertado a quem renuncia ao VT. |
Atenção do RH: A empresa não pode simplesmente “parar de pagar o VT” e começar a pagar o Auxílio Mobilidade sem a anuência do colaborador. O processo correto envolve o colaborador assinar um termo de renúncia ao VT (declarando que não utiliza transporte público) e aderir à política do Auxílio Mobilidade.
O auxílio mobilidade pode ser pago em dinheiro? (O Alerta Legal)
Aqui reside o maior risco para as empresas. Na tentativa de simplificar, alguns gestores decidem pagar um valor fixo de “ajuda de custo para gasolina” ou “auxílio transporte” via PIX ou direto na folha de pagamento, em dinheiro.
Isso é perigoso.
Pela legislação trabalhista e tributária brasileira, valores pagos em dinheiro com habitualidade tendem a ser considerados como salário.
- Se for salário: Incide INSS, FGTS e Imposto de Renda. Além disso, o valor integra o cálculo de férias, 13º salário e rescisão. O custo para a empresa dispara.
- Para ser benefício (indenizatório): O valor não deve ter natureza salarial. Para isso, a empresa precisa comprovar que o dinheiro foi usado exclusivamente para o trabalho/deslocamento.
A solução segura: o princípio da instrumentalidade
Como provar que o colaborador gastou os R$ 300,00 com gasolina e não com lazer? Pagando em dinheiro, é impossível.
Por isso, a forma mais segura de oferecer o Auxílio Mobilidade é através de cartões de benefícios ou carteiras digitais restritas.
Quando você deposita o valor em um cartão como o da Edenred, existe uma “trava tecnológica” (o MCC – Merchant Category Code). O cartão só passa em postos de gasolina, apps de transporte ou estacionamentos. Ele não passa no supermercado ou no bar.
Essa restrição comprova a finalidade do pagamento, blindando a empresa juridicamente e garantindo que o benefício mantenha sua natureza indenizatória (sem incidência de encargos), desde que bem fundamentado no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) ou Convenção Coletiva (CCT).
Como calcular o valor do auxílio mobilidade?
Diferente do VT, que tem uma matemática exata (valor da tarifa x dias úteis), o auxílio mobilidade exige uma definição estratégica da empresa. Não existe um valor fixo na lei.
Existem três métodos comuns utilizados pelos RHs:
1. Equivalência ao VT
A empresa calcula quanto gastaria se o funcionário usasse transporte público e converte esse valor em crédito de mobilidade. É um método justo para não aumentar o budget da empresa, apenas trocando a forma de uso.
2. Custo Médio Regional
A empresa faz uma pesquisa de mercado: “Quanto custa um tanque de gasolina na região?” ou “Qual a média de preço de Uber para um raio de 10km?”. Define-se um valor fixo (ex: R$ 250,00 ou R$ 400,00) para todos os elegíveis.
3. Modelo Híbrido (Pay per use)
Para empresas muito modernas, calcula-se o auxílio com base nos dias de comparecimento ao escritório. Se o funcionário vai 8 vezes no mês, recebe um valor proporcional para cobrir esses deslocamentos.
Por que escolher o Edenred Mobilidade?
Para implementar essa flexibilidade sem perder o controle, a gestão manual (reembolso de notinhas) é inviável. Você precisa de tecnologia.
A solução Edenred Mobilidade centraliza a gestão desse benefício, oferecendo vantagens claras para as duas pontas:
Para o RH (Gestão e Compliance)
- Fim dos Reembolsos: Chega de conferir centenas de notas de Uber ou cupons fiscais de postos de gasolina.
- Segurança Jurídica: O saldo é depositado em um cartão com travas de categoria, garantindo a destinação correta do recurso.
- Fatura Única: Em vez de pagar vários fornecedores, você faz um único aporte mensal para a Edenred.
Para o Colaborador (Experiência)
- Liberdade: Hoje está chovendo? Ele vai de Uber. O dia está bonito? Ele vai de bicicleta. Precisa viajar? Ele abastece o carro. Tudo com o mesmo saldo.
- Facilidade: Integração direta com os principais aplicativos de mobilidade do mercado.
A Edenred Mobilidade transforma o “problema do deslocamento” em um diferencial competitivo da sua marca empregadora.

Mais perguntas sobre auxílio mobilidade
O auxílio-mobilidade pode ser pago em dinheiro?
Embora tecnicamente possível, não é recomendado. O pagamento em dinheiro habitual caracteriza natureza salarial, incidindo encargos trabalhistas e previdenciários (INSS, FGTS, IR). Para segurança jurídica e isenção de encargos, o ideal é usar meios de pagamento restritos (cartões de benefício).
Como calcular o valor do auxílio mobilidade?
Não há regra legal fixa. A empresa pode basear o cálculo no custo equivalente do transporte público, numa média de custos de combustível/apps da região, ou definir um valor fixo mensal em acordo com o sindicato ou política interna.
Qual o benefício da mobilidade?
Para a empresa, o benefício é a retenção de talentos e a adequação ao trabalho híbrido. Para o colaborador, é a liberdade de escolha, conforto e a possibilidade de subsidiar custos com veículo próprio (combustível e estacionamento) que o VT não cobriria.
Qual das seguintes categorias é considerada um auxílio de mobilidade?
São consideradas categorias de mobilidade: abastecimento de veículos (combustível), uso de aplicativos de transporte privado (VTC), pagamento de estacionamentos, pedágios urbanos, aluguel de bicicletas e manutenção leve de veículos.
O Auxílio Mobilidade não é apenas uma tendência, é uma resposta à nova realidade do trabalho. Insistir apenas no Vale-Transporte tradicional pode gerar insatisfação e custos desnecessários com a compra de passes que não são utilizados.
Ao adotar um modelo flexível, sua empresa demonstra modernidade, melhora a qualidade de vida do colaborador (que perde menos tempo no trânsito) e otimiza a gestão de benefícios.
Dê liberdade para seu time ir e vir. Conheça o Edenred Mobilidade e descubra como modernizar sua política de transporte com total segurança jurídica.
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