Resumo rápido: nenhuma Zona de Baixa Emissão (ZBE) está em vigor em São Paulo, e nenhuma regra nova de circulação vale hoje para frotas por causa dela. A Prefeitura instituiu em junho de 2026 um grupo de trabalho para estruturar a zona e prevê um projeto-piloto em 2028; área, veículos atingidos e forma de restrição ainda não foram definidos. Empresas com operação urbana na capital já podem levantar os dados que medem sua exposição: fase de emissão e idade dos veículos, tempo rodado nas regiões centrais, acesso a recarga e impacto de uma restrição nos prazos de entrega.
O que é uma Zona de Baixa Emissão (ZBE)?
Zona de Baixa Emissão (ZBE) é uma área urbana delimitada em que a circulação dos veículos mais poluentes é restringida ou controlada para reduzir gases e partículas nocivos à saúde, conforme a definição usada pela Câmara Municipal de São Paulo. Em inglês, o modelo se chama Low Emission Zone (LEZ). O controle pode ser feito por proibição, limite de horário ou cobrança, e o critério costuma ser o padrão de emissão do veículo. Quando só circulam veículos sem emissão no escapamento, a área passa a ser uma Zona de Emissão Zero.
Nos documentos da Prefeitura de São Paulo, a iniciativa aparece como Zona de Baixa ou Zero Emissão. No Brasil, o Rio de Janeiro criou em 2022 o Distrito de Baixa Emissão no Centro, com foco em requalificação urbana, monitoramento da qualidade do ar e mobilidade ativa.
Por que São Paulo está criando uma ZBE?
A zona está prevista no Plano de Ação Climática do Município (PlanClima SP, 2020 a 2050), revisado em 2025, que estabelece metas de redução de gases de efeito estufa até 2030 e de neutralidade até 2050. O plano cita as zonas de baixa ou zero emissão como instrumento para reduzir poluentes do transporte e melhorar a qualidade do ar, conforme os considerandos da portaria reproduzidos pelo Diário do Transporte.
Em seminário realizado em 8 de setembro de 2026, a assessoria técnica da Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas (Seclima) informou que a ZBE é a Meta 24 do PlanClima desde 2021, com objetivo de implantação até 2032 (ABVE).
O que já foi definido oficialmente sobre a ZBE de São Paulo?
A Portaria SGM nº 123/2026, publicada no Diário Oficial da Cidade em 17 de junho de 2026, instituiu o Grupo de Trabalho Intersecretarial para a estruturação e implementação de iniciativas de Zona de Baixa ou Zero Emissão (GT-ZEZ). O grupo é coordenado pela Seclima e começou com representantes da própria Seclima, da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT), da SPTrans, da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e da Secretaria Executiva de Mobilidade e Trânsito (Semtra).
Entre as atribuições do GT-ZEZ previstas no artigo 10 da portaria estão:
- propor critérios e metodologias para identificar áreas prioritárias;
- desenvolver modelos de intervenção, instrumentos regulatórios e estratégias operacionais;
- avaliar impactos ambientais, sociais, econômicos e urbanos;
- estudar experiências nacionais e internacionais, com atenção a cidades com perfil semelhante ao de São Paulo;
- propor estratégias de comunicação e engajamento.
A Portaria SGM/SECLIMA nº 90/2026, de 24 de julho, designou os representantes do grupo. A mesma portaria definiu que os prazos do cronograma contam a partir da primeira reunião do GT-ZEZ.
Quanto tempo leva o cronograma do GT-ZEZ?
| Fase | Prazo máximo |
|---|---|
| I. Estruturação conceitual | Até 45 dias |
| II. Diagnóstico e base de dados | Até 3 meses |
| III. Modelagem da política | Até 4 meses |
| IV. Viabilidade institucional, econômica e política | Até 6 meses |
| V. Engajamento e implementação piloto | Até 9 meses |
| VI. Implementação, monitoramento e escalonamento | Contínua, após as fases anteriores |
As durações são limites. A passagem de uma fase para a seguinte depende da validação dos produtos técnicos pela coordenação do grupo (artigo 5º da portaria). Somadas, as cinco primeiras fases chegam a até 23,5 meses, e o piloto faz parte da quinta fase.
O que ainda está em aberto?
| Tema | Situação | Fonte |
|---|---|---|
| Grupo de trabalho (GT-ZEZ) | Oficial | Portaria SGM nº 123/2026 |
| Cronograma em seis fases | Oficial, com prazos contados da primeira reunião | Portarias SGM nº 123/2026 e SGM/SECLIMA nº 90/2026 |
| Projeto-piloto em 2028 | Anunciado | Câmara Municipal (ago/2026) e Seclima (set/2026) |
| Implantação da zona até 2032 | Anunciado | Seclima, Meta 24 do PlanClima |
| Área da zona | Em aberto, com diagnóstico de emissões por região em andamento | Seclima (set/2026) |
| Veículos atingidos e critério | Em aberto | Nenhum ato publicado |
| Forma de controle (proibição, horário ou cobrança) | Em aberto | Nenhum ato publicado |
| Legislação específica | Em aberto, prevista no PlanClima | Câmara Municipal |
| Regras para frotas comerciais | Em aberto | Nenhum ato publicado |
(situação em 15 de setembro de 2026, sujeita a mudança conforme novas publicações oficiais)
Onde a zona deve ser instalada?
Ainda não há perímetro publicado. Segundo a Seclima, a Prefeitura faz um diagnóstico das emissões de gases de efeito estufa nas principais regiões da cidade para escolher a área (ABVE). O seminário de setembro, promovido pela Associação Viva o Centro com a Seclima, discutiu eletrificação e a ZBE na região central, sem anúncio sobre o local da zona.
Caminhões e veículos de entrega entram no piloto?
Não há definição oficial. Na criação do grupo, reportagem do Diário do Transporte mencionou ônibus elétricos, o Bonde Urbano Digital (BUD) e limites a carros e motos como elementos da futura zona. A Câmara Municipal confirma apenas a previsão do piloto em 2028. Nenhum ato publicado até agora inclui ou exclui veículos de carga, entregas ou serviços.
Como a ZBE se relaciona com o rodízio e a ZMRC?
As restrições atuais continuam valendo e usam outra lógica. O rodízio municipal restringe veículos pelo final da placa no centro expandido, das 7h às 10h e das 17h às 20h em dias úteis, e tem regras próprias para veículos pesados (Estadão Conteúdo). A Zona de Máxima Restrição de Circulação (ZMRC) limita caminhões em vias e horários definidos pela CET, e a Zona de Máxima Restrição ao Fretamento (ZMRF) faz o mesmo com ônibus fretados.
Uma ZBE tende a usar o padrão de emissão do veículo como critério. Não há anúncio de que ela substitua o rodízio ou a ZMRC.
Um precedente interessa à frota: veículos elétricos e híbridos, incluindo caminhões, são isentos do rodízio municipal desde decreto de 2015.
(confirme as regras de isenção vigentes com a CET antes de alterar rotas ou compras)
O que a frota pode levantar agora para medir a exposição?
Os levantamentos abaixo não dependem do desenho final da zona e servem para os modelos em estudo.
Qual é a fase de emissão e a idade de cada veículo?
No Brasil, o limite de poluentes dos veículos novos é definido pelo Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores). Veículos leves seguem as fases L7, em vigor desde 2022, e L8, iniciada em 2025 (Olhar Digital). Caminhões e ônibus seguem as fases P7 (equivalente ao Euro 5) e P8 (equivalente ao Euro 6), obrigatória para todos os modelos produzidos desde janeiro de 2023 (AutoData).
Monte o inventário por placa com ano-modelo, fase Proconve, combustível e categoria (leve, veículo urbano de carga ou pesado). Zonas de baixa emissão em outras cidades usam o padrão de emissão como régua, então essa lista é o primeiro recorte de exposição.

A frota precisa medir gases de efeito estufa ou poluentes locais?
Os dois, porque respondem a perguntas diferentes. Emissões de gases de efeito estufa (GEE), medidas em CO₂e pela metodologia do GHG Protocol, entram no inventário climático e nos relatórios ESG. Poluentes locais, como óxidos de nitrogênio (NOx) e material particulado, afetam a qualidade do ar e dependem da tecnologia do motor, registrada na fase Proconve. A portaria que criou o GT-ZEZ cita os dois objetivos: melhorar a qualidade do ar e reduzir emissões do transporte.
A diferença muda decisões. Trocar gasolina por etanol em carros flex reduz a pegada de carbono da frota, mas não altera a fase Proconve do veículo. Se a regra da ZBE usar essa fase como critério, a troca de combustível não muda o enquadramento.
Na Gestão de Abastecimento da Edenred Mobilidade, a plataforma Sou Log+ mostra as emissões da frota em CO₂e pelo GHG Protocol, calculadas a partir dos litros abastecidos por veículo e combustível. A fase Proconve vem do cadastro técnico de cada veículo. Com os dois dados lado a lado, a empresa identifica quais veículos pesam no inventário climático e quais pesariam numa restrição por padrão de emissão. Para organizar esses indicadores, veja como montar um dashboard de sustentabilidade.
Quais veículos e rotas passam mais tempo nas regiões centrais?
Cruze roteiros e pontos de parada com o mapa do centro expandido e calcule, por veículo, os quilômetros e as horas rodados dentro dessa área. Separe os veículos que ficam quase o dia todo na região central dos que só atravessam. Registre também as janelas de entrega ou atendimento em horário comercial, período em que restrições por horário costumam valer.
Entregas urbanas, manutenção de redes, visitas comerciais e coleta tendem a concentrar quilometragem em áreas adensadas. Operações de longa distância, em geral, só cruzam a cidade.
A operação tem acesso a recarga nessas regiões?
Se a transição incluir elétricos, a infraestrutura define o ritmo. O Brasil tinha mais de 25 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga em maio de 2026, com cerca de 20 veículos plug-in por ponto, segundo levantamento da ABVE com a Tupi Mobilidade Elétrica (AutoData).
(dados de maio de 2026; a ABVE atualiza a base a cada trimestre)
Para frota, o ponto público serve de apoio. A recarga da rotina costuma ficar na base da operação: verifique a carga elétrica disponível na garagem, a necessidade de ajuste com a distribuidora de energia e se o tempo de recarga cabe entre os turnos. Antes de definir a base, compare benefícios, custos e desafios em Frota elétrica vale a pena?.
Qual seria o impacto de uma restrição nos prazos e na continuidade do serviço?
Simule um cenário: parte dos veículos deixa de circular na região central em horário comercial. Calcule quantas entregas ou atendimentos mudariam de janela, quantos veículos reserva seriam necessários e quanto custaria cobrir a diferença com remanejamento, turno alternativo ou terceirização. Compare o resultado com os prazos assumidos em contrato com clientes.
Com esse número, a empresa define em que etapa oficial do GT-ZEZ vale antecipar o plano de renovação. Cláusulas de prazo e responsabilidade nos contratos devem ser revisadas com o jurídico da empresa.
A disponibilidade dos veículos que continuarem rodando pesa na mesma conta. Em uma empresa de distribuição com 2,7 mil veículos atendida pela Gestão de Manutenção da Edenred Mobilidade, a adesão às preventivas subiu 30% e as paradas inesperadas de manutenção caíram 13%, na comparação entre o primeiro trimestre de 2023 e o de 2024.
(case do Relatório de Impacto de Manutenção Preventiva; resultados variam conforme o tipo de frota)
Quais alternativas cabem numa transição gradual?
As alternativas podem ser combinadas por perfil de rota:
- renovação por prioridade, substituindo primeiro os veículos de fases Proconve mais antigas que rodam mais tempo nas regiões centrais;
- elétricos e híbridos em rotas urbanas curtas e previsíveis, começando por um piloto (o Mobi Podcast #02, com gestores da Vivo e da MovE, detalha por onde começar);
- redistribuição de rotas e horários, com os veículos mais novos nas áreas centrais e os mais antigos em rotas periféricas ou rodoviárias;
- veículos menores ou modais alternativos na última milha, quando o volume de carga permitir;
- manutenção preventiva em dia, para o veículo continuar emitindo dentro do que foi homologado, com apoio da manutenção preditiva.
A eletrificação já está no plano de parte das empresas. Pesquisa da Edenred Mobilidade com 300 gestores de frota mostrou que 18% das empresas já usam veículos elétricos e outras 18% planejam adotá-los nos próximos três anos, ou 4 em cada 10 (Agrolink). A redução de custos operacionais foi citada como motivo por 47% das empresas que já têm elétricos e por 54% das que pretendem ter (ESG Inside).
(pesquisa divulgada em 2025)
A troca de combustível também reduz emissões de GEE sem trocar o veículo. No Mobi Podcast #03, o coordenador de frota da IP contou que a empresa reduziu cerca de 80% das emissões da frota leve em 2025 com migração para etanol, além de adotar caminhões elétricos e GNV nos pesados. A conta do etanol depende do preço na bomba em cada região, que o IPTL (Índice de Preços Edenred Ticket Log) acompanha diariamente por município. Para aprofundar a decisão sobre elétricos, o eBook “Veículos elétricos: por onde começar?” está em Materiais gratuitos.
Onde acompanhar as próximas etapas da ZBE?
Mudanças de fase, composição do grupo e propostas de regra saem no Diário Oficial da Cidade de São Paulo, em portarias da Secretaria do Governo Municipal e da Seclima. A Câmara Municipal também promove debates sobre o tema pela Escola do Parlamento. A portaria prevê estratégias de comunicação e engajamento, sem calendário de consulta pública divulgado até agora.
Como a Edenred Mobilidade apoia esse diagnóstico?
O levantamento de exposição usa dados que já passam pela gestão da frota:
- Gestão de Abastecimento: consumo por veículo e combustível e visão de emissões em CO₂e na plataforma Sou Log+, pelo GHG Protocol;
- Gestão de Manutenção: alertas de manutenção preventiva e preditiva, rede com mais de 30 mil estabelecimentos credenciados e cobertura de 95% do território nacional. Em 2024, a solução somou mais de 2,5 milhões de manutenções e mais de 520 mil veículos beneficiados, segundo o Relatório de Impacto de Manutenção Preventiva da Edenred Mobilidade;
- Move for Good: programa de descarbonização que mede emissões pelo GHG Protocol e compensa as residuais em projetos certificados pelos padrões VCS e Gold Standard, com auditoria independente anual.
(resultados de manutenção referentes a 2024; os números são atualizados a cada ciclo)
Perguntas frequentes sobre a Zona de Baixa Emissão de São Paulo
A Zona de Baixa Emissão de São Paulo já está em vigor?
Não. Em setembro de 2026, a zona está em fase de estudo pelo GT-ZEZ, grupo de trabalho criado pela Prefeitura de São Paulo em junho de 2026. Área, veículos atingidos e regras de circulação ainda não foram publicados.
Quando começa o piloto da ZBE em São Paulo?
O projeto-piloto está previsto para 2028, segundo a Câmara Municipal e a Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas (Seclima). A meta do Plano de Ação Climática do Município é implantar a zona até 2032.
Caminhões e veículos de entrega serão afetados pela ZBE?
Não há definição oficial. Nenhum ato publicado até setembro de 2026 inclui ou exclui veículos de carga do piloto. Empresas com operação urbana podem levantar desde já a fase Proconve dos veículos e o tempo rodado nas regiões centrais da cidade.
Carros elétricos e híbridos ficarão livres da ZBE?
As regras da zona ainda não foram definidas. Hoje, veículos elétricos e híbridos são isentos do rodízio municipal de São Paulo por decreto de 2015.
A ZBE vai substituir o rodízio ou a ZMRC?
Não há anúncio nesse sentido. O rodízio municipal e a Zona de Máxima Restrição de Circulação (ZMRC) seguem em vigor e usam critérios diferentes do previsto para uma zona de baixa emissão, que tende a considerar o padrão de emissão do veículo.
O que fazer enquanto a regra não sai
A ZBE de São Paulo tem portaria, cronograma e piloto anunciado, mas ainda não tem regra para frotas. O inventário por fase Proconve, o mapa de quilometragem nas regiões centrais, a checagem de recarga e a simulação de prazos permitem planejar a renovação por etapas, com base em números da própria operação.
Medir emissões com metodologia reconhecida é o primeiro passo da descarbonização proposta pelo Move for Good, que conecta a gestão diária da frota a uma mobilidade de menor impacto. Para cruzar consumo, emissões e manutenção da sua frota, fale com o nosso time.
