O GHG Protocol é a metodologia internacional mais usada para contabilizar as emissões de gases de efeito estufa de uma organização. Na frota, ele transforma cada litro de combustível abastecido em toneladas de CO₂ equivalente (CO₂e) e separa essas emissões por escopo, conforme quem controla o veículo.
É a mesma lógica que a Edenred Mobilidade usa para mensurar as emissões das frotas de clientes a partir dos abastecimentos registrados.
Neste guia, você vai entender o que o método pede, em que escopo entra cada tipo de frota, como a conta é feita na prática e por onde começar o inventário da sua operação.
O que é o GHG Protocol?
O GHG Protocol (Greenhouse Gas Protocol) é um padrão de contabilidade de emissões criado pelo World Resources Institute (WRI) e pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD). Ele define como uma empresa identifica suas fontes de emissão, calcula o volume de cada gás e converte tudo em uma unidade comum, o CO₂e.
No Brasil, o método é adaptado pelo Programa Brasileiro GHG Protocol, criado em 2008 pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV (FGVces) em parceria com o WRI. O programa oferece ferramentas de cálculo com fatores de emissão brasileiros e mantém o Registro Público de Emissões, onde as organizações publicam seus inventários e recebem uma qualificação (bronze, prata ou ouro).
Em que escopo entram as emissões da frota?
O GHG Protocol organiza as emissões em três escopos. A mesma viagem de caminhão pode cair em escopos diferentes: depende de quem é o dono do veículo e de quem paga pelo combustível.
| Tipo de frota ou uso | Escopo | Por quê |
|---|---|---|
| Frota própria a combustão (carros, vans, caminhões) | Escopo 1 | Emissão direta de fonte que a empresa controla |
| Recarga de elétricos da frota própria com energia comprada | Escopo 2 | Emissão indireta da eletricidade consumida |
| Transporte de carga contratado de terceiros | Escopo 3 | Emissão na cadeia de valor, fora do controle direto |
| Deslocamento de colaboradores e viagens a trabalho | Escopo 3 | Emissão indireta ligada à atividade da empresa |
Esse detalhe importa para quem presta serviço. Se a sua transportadora atende um embarcador que faz inventário, as emissões da sua frota entram no escopo 3 dele. Por isso, cada vez mais contratantes pedem aos fornecedores de frete os dados de consumo e de emissão por operação.
Como a conta é feita na prática?
A fórmula básica é simples: dado de atividade multiplicado pelo fator de emissão. Na frota, o dado de atividade mais confiável é o volume de combustível, em litros, separado por tipo (gasolina, etanol, diesel, GNV).
Calcular pelo litro abastecido é mais preciso do que estimar pela quilometragem, porque o litro já carrega o efeito da rota, do trânsito, da carga e do jeito de dirigir. A estimativa por distância fica para os casos em que não há registro de consumo.
Dois cuidados técnicos fazem diferença no resultado:
- Parcela renovável da mistura. Gasolina e diesel vendidos no Brasil têm etanol anidro e biodiesel misturados por lei. O CO₂ da parte renovável é informado separadamente como emissão biogênica, e não somado às emissões fósseis do escopo 1.
- Consistência dos fatores. O inventário deve usar a mesma base de fatores de emissão de um ano para o outro, para que a comparação reflita mudança real de operação, e não troca de método.
Quando cada abastecimento é registrado pelo meio de pagamento, com veículo, data, combustível e litros, o inventário deixa de depender de planilha e de nota recolhida à mão. Esse é o ponto em que a gestão de abastecimento vira base de dados ambientais.
Veja como calcular o consumo por veículo no guia de cálculo de consumo de combustível.
O que a Edenred Mobilidade mede na frota do cliente?
Dentro do programa Move for Good, a Edenred Mobilidade mensura as emissões da frota pela metodologia do GHG Protocol a partir dos abastecimentos realizados, considerando o tipo de frota e os litros consumidos. O cliente acompanha essas emissões em tempo real na plataforma Sou Log+, da solução de Gestão de Abastecimento.
O programa se organiza em três pilares:
- Mensurar e reduzir: cálculo das emissões pelo GHG Protocol e definição de ações de redução, como a troca por etanol quando o veículo é flex.
- Compensar e preservar: compensação das emissões que não puderam ser evitadas por meio de créditos de projetos certificados pelas metodologias VCS e Gold Standard, com certificado anual validado por auditoria independente.
- Conscientizar: conteúdos e ações para criar cultura de mobilidade de baixo carbono nas empresas.
A própria Edenred Mobilidade apresenta o Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol entre seus compromissos de sustentabilidade. Para entender o que a verificação externa acrescenta à compensação, leia auditoria de carbono na frota.
Por que medir as emissões da frota agora?
Três movimentos pressionam a medição, mesmo para quem não é obrigado a publicar o inventário.
O primeiro é regulatório: a Lei 15.042/2024 criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), que obriga operadores com mais de 10 mil toneladas de CO₂e por ano a monitorar e relatar emissões, e os acima de 25 mil a conciliar obrigações. A regulamentação segue em construção: a Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono apresentou em maio de 2026 uma proposta preliminar de cobertura setorial.
O segundo vem da cadeia: embarcadores que fazem inventário precisam do dado dos fornecedores para fechar o escopo 3.
O terceiro é de confiança. O estudo Mapa do Consumo Sustentável 2026, da Ilumeo com Ecomunica e Weleda, ouviu 760 consumidores brasileiros e mostrou que apenas 18% confiam que as empresas cumprem o que prometem sobre sustentabilidade. O estudo é sobre consumo, mas o recado vale para qualquer empresa: sem número medido e método nomeado, o discurso ambiental perde credibilidade.
O artigo sobre mercado de carbono para frotas detalha como créditos e compensação funcionam nesse cenário.
Como começar o inventário de emissões da frota?
- Mapeie as fontes: separe frota própria, frota terceirizada e veículos elétricos, porque cada grupo cai em um escopo.
- Centralize o dado de combustível: o ideal é que todo abastecimento passe por um meio de pagamento que registre veículo, combustível e litros.
- Defina o ano-base: é contra ele que a redução será medida.
- Separe a parcela biogênica: siga a ferramenta do Programa Brasileiro GHG Protocol.
- Escolha as alavancas de redução: combustível, manutenção, rota e condução. Os guias de redução de emissões da frota, de manutenção preventiva como agenda ambiental e de semáforos inteligentes e consumo aprofundam cada frente.
- Compense o que restar: com créditos de projetos certificados e registro de aposentadoria.
- Verifique: a checagem por terceiro independente é o que transforma o número em prova.
Se a transição para elétricos estiver no plano, o checklist de eletrificação de frotas ajuda a avaliar a prontidão da operação antes de trocar o primeiro veículo.
Medir é o primeiro passo para reduzir com critério. Com o Move for Good, a Edenred Mobilidade apoia empresas a transformar dado de abastecimento em ação de baixo carbono, porque mover para o bem começa por saber quanto se emite. Conheça o programa.
Perguntas frequentes
O que é GHG Protocol?
É a metodologia internacional de contabilidade de emissões de gases de efeito estufa, criada pelo WRI e pelo WBCSD. No Brasil, ela é adaptada pelo Programa Brasileiro GHG Protocol, conduzido pelo FGVces, que oferece fatores de emissão nacionais e o Registro Público de Emissões.
Em que escopo do GHG Protocol entra a frota da empresa?
A frota própria a combustão entra no escopo 1. A recarga de elétricos com energia comprada entra no escopo 2. O transporte contratado de terceiros e o deslocamento de colaboradores entram no escopo 3.
Como calcular as emissões de uma frota?
Multiplique o volume de cada combustível, em litros, pelo fator de emissão correspondente e converta o resultado em CO₂ equivalente. A parcela de biocombustível misturada à gasolina e ao diesel é informada separadamente como emissão biogênica.
Quem usa o GHG Protocol para medir carbono de frota no Brasil?
Empresas que publicam inventário no Registro Público de Emissões e programas como o Move for Good, da Edenred Mobilidade, que calcula as emissões da frota dos clientes pelo GHG Protocol a partir dos abastecimentos registrados.
