Mercado de carbono é o sistema em que empresas compram e vendem créditos de carbono, cada um representando uma tonelada de CO2 equivalente (CO2e) que deixou de ser emitida ou foi removida da atmosfera. No Brasil, ele existe em duas formas: o mercado regulado, hoje estruturado pelo SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões), e o mercado voluntário, em que empresas negociam entre si com base em metodologias certificadas.
Para o gestor de frota, entender essa lógica é cada vez mais estratégico. A operação de uma frota corporativa é uma fonte relevante de emissões de Escopo 1, e a forma como essas emissões são geridas impacta diretamente as metas de ESG da empresa, mesmo quando não resulta na venda de um crédito.
Neste artigo, você vai entender como funciona o mercado de carbono, o que mudou com a regulamentação mais recente, e qual é, de fato, o papel da gestão de frota nesse cenário.
Índice
- O que são créditos de carbono e como funciona o mercado
- Mercado regulado x mercado voluntário: o que mudou com o SBCE
- Reduzir as emissões da frota gera créditos de carbono automaticamente?
- Como a gestão de frota contribui para as metas de ESG da empresa?
- Move for Good: como a Edenred conecta abastecimento e compensação de carbono
- Vantagens e pontos de atenção do mercado de carbono
- Perguntas frequentes crédito de carbono
- Como funciona o mercado de carbono para empresas de transporte e frotas no Brasil?
- O que é o SBCE e como ele regula o mercado de carbono no Brasil?
- Reduzir as emissões da frota gera créditos de carbono automaticamente?
- Qual a diferença entre mercado regulado e mercado voluntário de carbono?
O que são créditos de carbono e como funciona o mercado
Um crédito de carbono é a representação de uma tonelada de CO2e que foi evitada ou removida da atmosfera por um projeto certificado, como reflorestamento, energia renovável e eficiência industrial. Esses créditos podem ser comprados por empresas que desejam compensar emissões que ainda não conseguiram eliminar.
Para ser negociado, o crédito precisa passar por um processo de certificação e auditoria independente, com base em uma metodologia reconhecida e um sistema de MRV (Mensuração, Relato e Verificação). É esse processo que garante que a tonelada de CO2e “comprada” corresponde a uma redução real.
Os projetos que geram créditos de carbono variam bastante: reflorestamento e conservação florestal (como os projetos REDD+), geração de energia renovável, eficiência energética industrial e captura de gás de aterro são alguns dos exemplos mais comuns certificados no Brasil e no mundo.
Qualquer empresa pode comprar créditos desses projetos para compensar emissões que ainda não conseguiu eliminar da própria operação.
Mercado regulado x mercado voluntário: o que mudou com o SBCE
Até pouco tempo atrás, o Brasil não tinha um mercado de carbono regulado consolidado, apenas o mercado voluntário, mais flexível e sem obrigatoriedade legal. Isso mudou com a Lei nº 15.042, de 11 de dezembro de 2024, que instituiu o SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa).
O SBCE estabelece um limite nacional de emissões, aplicado gradualmente a grandes emissores, e cria um registro oficial para o comércio de cotas e créditos. Empresas que ultrapassam seus limites podem compensar parte da diferença com créditos do mercado voluntário, o que conecta os dois sistemas.
Já o mercado voluntário segue funcionando de forma independente do SBCE: empresas de qualquer porte podem comprar créditos certificados para compensar emissões, por iniciativa própria, sem obrigação legal.
Reduzir as emissões da frota gera créditos de carbono automaticamente?
Não diretamente e essa é uma confusão comum. Otimizar rotas, trocar combustíveis fósseis por fontes renováveis ou modernizar a frota reduz as emissões de Escopo 1 da própria empresa. Isso melhora o inventário de gases de efeito estufa e contribui diretamente para metas de ESG, mas não transforma essa redução em um crédito vendável de forma automática.
Para virar um crédito comercializável, a redução precisa fazer parte de um projeto certificado, com metodologia auditada, linha de base definida e MRV validado por uma entidade independente. É esse processo, não a ação isolada de otimizar uma rota, que gera o crédito.
Na prática, isso significa que a gestão eficiente da frota tem dois papéis distintos: reduz a pegada de carbono da própria operação (o que já conta para relatórios de ESG e exigências de clientes e investidores) e, quando estruturada como projeto certificado, pode também gerar créditos negociáveis no mercado voluntário.
Como a gestão de frota contribui para as metas de ESG da empresa?
O ponto de partida é medir. Sem saber quanto CO2e a frota emite, não é possível reduzir com consistência nem comprovar avanço para investidores, clientes ou órgãos reguladores.
Uma plataforma de Gestão de Abastecimento centraliza dados de consumo de combustível por veículo, o que permite calcular as emissões da frota com precisão e acompanhar a evolução ao longo do tempo. Esse dado é a base tanto para relatórios de ESG quanto para decisões como troca de combustível, revisão de rotas ou renovação de veículos.
Na prática, uma frota que monitora consumo por veículo consegue identificar, por exemplo, quais rotas ou modelos têm maior intensidade de emissão por quilômetro rodado, informação que direciona investimentos em eficiência para onde eles geram mais impacto, em vez de ações genéricas aplicadas à frota inteira.
Move for Good: como a Edenred conecta abastecimento e compensação de carbono
O Move for Good é a iniciativa da Edenred Mobilidade que permite compensar as emissões de CO2e geradas pelos abastecimentos de combustíveis fósseis da frota, com base nos litros efetivamente abastecidos.
Empresas que usam a Gestão de Abastecimento da Edenred acompanham suas emissões automaticamente, sem trâmites adicionais, e podem compensar até 100% delas. O valor arrecadado é investido em projetos certificados internacionalmente, como iniciativas de reflorestamento e conservação florestal na Amazônia. O volume compensado pode ser acompanhado em tempo real pelo Compensômetro, disponível para empresas parceiras.
Vantagens e pontos de atenção do mercado de carbono
O mercado de carbono oferece vantagens claras: para empresas em desenvolvimento, é uma forma de financiar projetos sustentáveis; para quem compensa emissões, é um caminho para cumprir metas de ESG e se posicionar diante de clientes e investidores cada vez mais atentos ao tema.
Por outro lado, é um mercado ainda em maturação no Brasil. Vale ficar atento a dois pontos: a compra de créditos não substitui a redução direta das próprias emissões — ela complementa; e a credibilidade de um crédito depende inteiramente da certificação e da transparência do projeto por trás dele.
Perguntas frequentes crédito de carbono
Como funciona o mercado de carbono para empresas de transporte e frotas no Brasil?
Empresas de transporte podem reduzir suas emissões de Escopo 1 otimizando rotas, revisando o uso de combustível e modernizando a frota. Essa redução melhora o inventário de GEE e as metas de ESG, e pode ser complementada com a compra de créditos certificados no mercado voluntário.
O que é o SBCE e como ele regula o mercado de carbono no Brasil?
O SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões) foi instituído pela Lei nº 15.042/2024. Ele estabelece um limite nacional de emissões para grandes emissores e cria um registro oficial para negociação de cotas e créditos de carbono.
Reduzir as emissões da frota gera créditos de carbono automaticamente?
Não. A redução de emissões melhora o inventário de GEE da empresa, mas só se torna um crédito comercializável quando integra um projeto certificado, com metodologia auditada e verificação independente (MRV).
Qual a diferença entre mercado regulado e mercado voluntário de carbono?
No mercado regulado, como o SBCE, empresas têm limites legais de emissão e podem negociar cotas entre si. No mercado voluntário, a compra de créditos é uma escolha estratégica da empresa, sem obrigatoriedade legal.
O mercado de carbono deixou de ser um tema distante da gestão de frota. Cada litro de combustível monitorado, cada rota otimizada e cada decisão sobre a matriz energética da frota tem relação direta com o inventário de emissões da empresa e, por consequência, com suas metas de ESG.
Entender a diferença entre reduzir emissões e gerar créditos certificados é o que permite ao gestor de frota tomar decisões mais informadas: onde investir em eficiência operacional e onde faz sentido buscar compensação certificada, como o Move for Good, para acelerar o compromisso da empresa com a sustentabilidade.
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