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Segurança no trânsito para frotas: o que torna um veículo seguro | Mobi Podcast

Neste episódio do Mobi Podcast da Edenred Mobilidade, o tema é segurança no trânsito para frotas, e a pergunta que organiza a conversa é direta: qual é o veículo mais seguro? A resposta dos convidados é que não existe um modelo universal. O veículo mais seguro é o adequado à operação, mantido em dia e conduzido com responsabilidade. Ao longo do bate-papo, eles destrincham os três fatores que sustentam isso: a escolha do veículo certo para o trajeto e a carga, a manutenção preventiva e preditiva que mantém o carro dentro dos parâmetros de fábrica, e o comportamento do condutor, apoiado por tecnologia, treinamento e política de frota.

Sobre o episódio

Gravado no contexto do Maio Amarelo, o episódio conecta segurança veicular, manutenção de frota e fator humano. Os convidados discutem desde critérios técnicos (segurança ativa e passiva, Latin NCAP, adequação do veículo à operação) até a gestão da manutenção (preventiva, preditiva, MTBF, rede de oficinas) e a cultura de segurança no trânsito, fechando com a relação entre manutenção, sustentabilidade e preservação de vidas.

Quem participa

Apresentação: Leonardo Silva, executivo de relacionamento em Manutenção na Edenred Mobilidade.

Convidado: Gladson, Diretor de Operações na Brasfrotas Locação de Veículos, com mais de 20 anos em mobilidade e gestão de frotas.

Convidado: Júlio Cabral, Sócio-fundador da Unbreak Criação & Produção e jornalista especializado em mobilidade, com passagem por veículos de imprensa e por fabricantes do setor automotivo.

Principais aprendizados

  • Qual é o veículo mais seguro para uma frota? Não é um modelo específico: é o veículo certo para a operação, bem mantido e bem conduzido.
  • Como escolher o veículo certo? Adequação à operação vem antes do preço: tração (4×4 contra 4×2), capacidade de carga e rodar dentro das especificações do fabricante.
  • O que é segurança ativa e passiva? Ativa evita o acidente (ABS, frenagem automática, controle de estabilidade); passiva reduz danos (airbags, cinto de três pontos, estrutura).
  • Por que a manutenção define a segurança? Manter o veículo nos parâmetros de fábrica preserva a margem de segurança projetada; a corretiva custa mais e gera indisponibilidade.
  • O que é MTBF? O Tempo Médio Entre Falhas indica o melhor momento de trocar a peça antes que ela falhe.
  • Qual o papel do condutor? O comportamento humano é o principal fator nos acidentes; direção defensiva, política de frota e treinamento são decisivos.
  • Como a tecnologia ajuda? Telemetria e sensores de fadiga monitoram condutor e veículo em tempo real e permitem agir antes do sinistro.
  • Como sustentabilidade entra nisso? Carro bem mantido polui menos e é mais seguro; manutenção preventiva é também prática ambiental.

Capítulos do episódio

  • 00:00  Abertura e apresentação dos convidados
  • 02:22  O que torna uma frota mais segura?
  • 05:21  Como escolher o veículo certo para a operação?
  • 07:18  O que é o Latin NCAP e por que ele importa na escolha da frota?
  • 13:30  Qual o papel do motorista e da educação no trânsito?
  • 29:32  Quais são os custos invisíveis da manutenção e da indisponibilidade?
  • 38:11  Qual a frequência ideal das revisões em operação severa?
  • 53:17  Por que a rede de oficinas é estratégica?
  • 01:05:30  Como segurança e sustentabilidade se conectam na frota?
  • 01:20:38  Quais são as tendências para a segurança viária?
  • 01:32:31  Mensagem final

Transcrição do episódio

Transcrição editada para leitura: os nomes de marca e termos técnicos foram corrigidos e as repetições e pausas da fala foram aparadas, preservando o conteúdo e a atribuição de cada participante. 

00:00  Abertura e apresentação dos convidados

Leonardo: Eu sou Leonardo Silva, executivo de relacionamento em Manutenção na Edenred Mobilidade, e o tema de hoje é segurança no trânsito para frotas. Estamos com os nossos convidados, Gladson e Júlio. Gostaria que se apresentassem ao público.

Gladson: Prazer, Leonardo, e obrigado pelo convite. Sou diretor de operações, com uma carreira de mais de 20 anos no segmento de mobilidade e gestão de frotas. É muito importante falarmos sobre o Maio Amarelo, porque hoje não é só sobre carros, é sobre pessoas, segurança, saúde e cuidado com as pessoas.

Júlio: Obrigado pelo convite, Léo. Sou Júlio Cabral, jornalista de formação, com quase 20 anos de experiência no segmento de mobilidade, entre automóveis, aviação e outros. Atuei em veículos de imprensa e também no mercado corporativo, em contas de fabricantes do setor. É uma grande oportunidade falar sobre segurança, não apenas pelo Maio Amarelo, mas pela epidemia de acidentes que vivemos no Brasil.

Leonardo: Quando falamos de segurança no trânsito, falamos de vidas, não só de frota e veículos. Falamos de pedestres, de motoristas e também do meio ambiente. É um ponto-chave, e vocês vão contribuir muito aqui no Mobi Podcast.

02:22  O que torna uma frota mais segura?

Leonardo: Para iniciar o primeiro bloco, queria discutir os fatores de segurança. Na Edenred Mobilidade temos um ecossistema voltado a dar informação ao cliente para ele tomar as melhores decisões, do tipo de combustível ao melhor local para fazer a manutenção. Sob essa perspectiva, qual é a visão de vocês sobre como ter uma frota mais segura na operação? Gladson, pode começar.

Gladson: Temos hoje cerca de 1 milhão de mortes no trânsito no mundo. No Brasil, são em torno de 40 mil mortes por ano, quase 80 por dia. É como se um avião caísse todo dia e a gente ignorasse. Por isso o Maio Amarelo e essa conscientização são essenciais. Falando de frota, existem órgãos que regulam a segurança em caso de colisão, mas o ponto mais importante são as pessoas. Quem conduz precisa ter cuidado e responsabilidade. No curso de formação a gente ouve que o veículo é uma arma, e qualquer ferramenta na mão de quem não sabe usar pode virar uma arma. Por isso o treinamento do motorista e o cuidado com a saúde física e psicológica dele são importantes, com apoio de ferramentas como telemetria e sensores de fadiga. Do lado da máquina, é escolher a máquina certa para o tipo de operação, manter a manutenção preventiva em dia, cuidar dos pneus e usar a manutenção preditiva, porque o carro fala: ele sempre aponta antes que vai dar um problema.

05:21  Como escolher o veículo certo para a operação?

Leonardo: Você tocou num ponto-chave: a escolha do veículo, e principalmente se aquele veículo está apto a rodar naquele trajeto e local.

Gladson: Temos a preocupação de conhecer a operação do cliente. Um carro 4×2 é parecido com um 4×4, e às vezes, na hora de fechar a locação, no nosso mercado de terceirização de frota, o comprador olha o preço e escolhe o 4×2, sendo que a operação precisa de 4×4, porque pode atolar ou exige mais torque e tração. Isso é item de segurança. A escolha do veículo correto para a operação correta é fundamental, assim como peso e itens de segurança específicos de cada operação.

Júlio: Sem dúvida, a gestão da frota inclui isso. Você precisa da ferramenta adequada ao perfil de uso. No caso de capacidade de carga, se leva quatro funcionários mais carga, tem que respeitar a capacidade total do veículo. Caso contrário, roda fora das especificações e compromete a segurança.

07:18  O que é o Latin NCAP e por que ele importa na escolha da frota?

Júlio: Falando da segurança intrínseca do veículo, temos um padrão de certificação governamental que é inferior ao exigido por organismos independentes. O maior exemplo é o Latin NCAP (New Car Assessment Programme), programa de testes de carros 0 km voltado à América Latina, com foco grande no Brasil por ser o maior mercado. É muito importante olhar para isso na escolha da frota. Assim como você se preocupa com a ergonomia da cadeira do funcionário, deve se preocupar com a saúde dele ao volante. O Latin NCAP traz dados públicos e detalhados sobre o quanto a segurança ativa e passiva de um modelo é melhor ou pior que a média, mesmo quando o carro atende à legislação.

Júlio: Qualquer fabricante com nota baixa deixa claro que o carro atende à legislação brasileira, então não é ilegalidade. Mas o instituto elevou o patamar de preocupação, inclusive com a imagem. Depois do Latin NCAP, vi projetos citando o modelo e o teste nos bastidores, com reforço estrutural e adoção de materiais mais resistentes, como aços especiais que ficaram mais baratos. Segurança automotiva é um pacote completo: há modelos bem avaliados em segurança ativa, como frenagem automática, mas com estrutura ainda considerada instável. É um trabalho completo, e cabe ao frotista levar isso em conta, porque é a segurança do funcionário e de quem está na via. Podemos agradecer a esses organismos independentes por forçarem a evolução do mercado.

Júlio: Temos muitos fatores que regem a segurança. É uma epidemia, um avião regional caindo por dia, mas que não gera o mesmo clamor de um acidente aéreo, porque a insegurança no trânsito virou cotidiano, e isso dessensibiliza. Cria-se a sensação de que eu não faço parte do problema. Mas todo motorista faz parte do problema e da solução. A segurança do modelo é importante, mas também a direção defensiva e assumir o seu papel nesse ecossistema. O carro que dirige melhor e o mais seguro costumam caminhar juntos, porque ambos são questão de excelência de engenharia, maturidade de projeto e investimento em pesquisa, além da pressão da opinião pública, já que ninguém quer fazer feio num teste aberto.

13:30  Qual o papel do motorista e da educação no trânsito?

Leonardo: Os fabricantes evoluem o equipamento, e isso faz sentido. Mas não podemos esquecer do motorista. Falamos muito de direção defensiva. Como vocês percebem o mercado na educação dos condutores? Estamos acompanhando a evolução da máquina também na formação de quem dirige?

Gladson: Segundo a PRF, cerca de 90% dos acidentes têm relação com comportamento humano: distração com celular, excesso de velocidade, álcool, imprudência, imperícia e negligência. O que percebemos é que já existem empresas especializadas em treinamento de direção defensiva, além de ferramentas mecânicas, como telemetria e sensor de fadiga, que ajudam a identificar um condutor que pode ser um potencial risco. O mercado corporativo vem se preparando para minimizar esses problemas com o condutor.

Júlio: É preciso conscientização e responsabilização individual. Não dá para saber o que está na cabeça do outro; quem confia cegamente acaba se arriscando. Cada um responde pela própria segurança, pela de quem está no veículo e pela de quem está ao redor. Culpar só a estrada, a falha mecânica ou o motorista não é o mais assertivo, mas a maior parte dos acidentes tem origem humana. As falhas mecânicas estão cada vez mais raras, e aparecem principalmente em veículos pesados, com manutenção negligenciada e frota antiga. Entre colocar o pão na mesa e gastar mais na manutenção do caminhão, o motorista autônomo escolhe o pão. Mas e se o mais caro for um acidente com vítimas? Nenhum departamento de contabilidade consegue quantificar uma vida. Por isso não se deve negligenciar a manutenção, e há que se considerar o custo total de propriedade do veículo: nunca compre um veículo que você não vai conseguir manter.

Júlio: Boas práticas andam juntas. Quem dirige de forma econômica, sem correr e sem ultrapassar o sinal amarelo, colabora também com a segurança. Até um carro mal avaliado no Latin NCAP fica mais seguro se o condutor souber o que está fazendo. E muitos pensam só na consequência econômica de bater o carro, quando o motorista profissional compromete até a própria carreira. A conscientização é uma maturidade que se espera, e que, pelos números, ainda falta.

Gladson: Estarmos aqui já é uma mudança. O Júlio falou de cultura: cultura de prevenção, de proteção à vida, de sermos parte de um todo. O Maio Amarelo já é um caminho nessa direção. Algumas empresas levam isso a sério e precisam conscientizar as pessoas de que não é o valor do conserto nem um carro hiperseguro que faz a diferença, é o motorista que entende que precisa chegar são e salvo em casa, porque tem família que depende dele.

29:32  Quais são os custos invisíveis da manutenção e da indisponibilidade?

Leonardo: Vamos conectar com o próximo bloco: disponibilidade da frota e impactos financeiros. Uma revisão bem feita mantém a frota circulando e reduz custos. Gladson, onde estão os custos invisíveis ligados à manutenção?

Gladson: A disponibilidade é um dos maiores indicadores para o frotista, e às vezes é um custo que não se mede: um carro parado deixa de gerar receita e ainda exige um reserva. A falta de manutenção preventiva causa indisponibilidade. A manutenção corretiva custa em torno de 40% a mais que a preventiva. Se você não faz uma simples troca de óleo, pode ter problema de motor ou de bico injetor, que é caríssimo. Além do custo, há o tempo: a preventiva leva de 2 a 3 horas, e a corretiva é bem mais demorada. Tem também o consumo operacional: sem preventiva, você não olha pneu nem faz o que precisa, e acaba consumindo mais combustível. São custos que a frota às vezes não enxerga.

Júlio: A manutenção é fundamental. Um amigo levou o carro seminovo para revisão e o custo saiu tão alto que ele desistiu da viagem, mas fez a manutenção. O problema é deixar acumular até um ponto proibitivo, muitas vezes herdado do dono anterior. O carro tem uma parametrização: os engenheiros o projetaram daquele jeito, e quanto mais perto dos parâmetros originais, mais segurança. Dar bobeira com amortecedores compromete o controle em curvas e frenagens; economizar em pastilhas de freio faz trocar o disco antes, o que é mais caro, e aumenta a distância de frenagem. Trabalhei quase 10 anos testando carros em pista, e o sistema de freios é sensível: já vimos carro entrar em fading logo após uma bateria de testes. Às vezes o carro sai de fábrica com pontos que poderiam ser melhores, e o frotista precisa compensar isso com manutenção. Um motor com falha de ignição ou injeção é o mesmo que falha numa ultrapassagem, e quanto mais tempo na faixa contrária, mais risco. O excesso de velocidade agrava tudo, porque na energia cinética a velocidade entra ao quadrado.

Gladson: Aqui na Edenred Mobilidade tentamos mostrar ao cliente o equilíbrio entre disponibilidade e custo. O veículo não pode parar, mas vai parar se não fizer a manutenção certa no momento certo. Parando agora, ele continua rodando e gerando receita lá na frente.

Leonardo: O barato da manutenção adiada sai mais caro no final.

38:11  Qual a frequência ideal das revisões em operação severa?

Leonardo: Entrando no terceiro bloco: frequência ideal das revisões. A frota operacional nem sempre consegue parar no momento previsto pela montadora ou pelo plano do gestor. Como vocês veem isso?

Gladson: A maioria dos carros é feita para o varejo, o consumidor final, em ambiente urbano com variáveis controladas. Quem trabalha com frota nem sempre tem essas variáveis controladas: precisa esticar a entrega, opera em locais inóspitos, mineração, agro, com os mesmos carros fabricados para a cidade. É uso severo, e exige mais cuidado. Ainda há frotista com operação severa usando a manutenção de montadora, o que não faz sentido. Com o apoio da Edenred Mobilidade na rede de oficinas, temos pontos de apoio no Brasil inteiro e o cuidado de conhecer a operação. Por exemplo, vou ao interior do Piauí conhecer uma mineradora que roda em mina subterrânea de manganês e ferro. Não dá para tratar esse carro como um carro comum. Para esse cliente, propomos a troca de óleo com 30% do intervalo de uma manutenção de montadora e a lavagem da parte inferior, chassi, buchas e freios, ao menos uma vez por semana, para o minério não impregnar. Dependendo da operação, é preciso calendarizar a preventiva de forma menos espaçada, para o carro ficar mais disponível e a corretiva não sair mais cara.

Leonardo: Você tocou num ponto-chave: o plano personalizado para cada operação. E eu vou além: dá para contribuir muito com o MTBF. No momento da parada programada, você avalia o Tempo Médio Entre Falhas e identifica uma peça em vias de troca, evitando uma nova parada à frente.

Gladson: Esse foi um fator preponderante para termos a Edenred Mobilidade como parceira na manutenção. As oficinas são credenciadas, com curadoria do tipo de serviço, estrutura, sala de espera e capacidade técnica. Estamos juntos há mais de 5 anos, felizes com o resultado, e isso nos permitiu expandir a atuação para o Brasil inteiro.

53:17  Por que a rede de oficinas é estratégica?

Leonardo: No quarto bloco, falamos da importância da rede de oficinas, que é o coração da gestão de manutenção. Gladson, quais os desafios com a rede credenciada?

Gladson: A oficina deixou de ser só executora e virou estratégica, porque é o nosso olho na ponta. Ao receber um veículo, além da manutenção definida, ela faz uma inspeção geral e aponta possíveis próximos problemas, o que ajuda no MTBF. Carro parado é custo, porque exige reserva, então quanto menor o tempo de parada e a chance de o carro voltar, menor o custo. Tenho tranquilidade de mandar um cliente para a rede credenciada da Edenred Ticket Log: sei que ele será bem atendido, numa oficina estruturada, com sala de espera, banheiro e wi-fi, para o condutor continuar produzindo durante as 2 a 3 horas da preventiva. E há a capilaridade: são mais de 36 mil oficinas disponíveis, um ponto de apoio com qualidade onde quer que o cliente rode. Isso vira argumento de venda no nosso negócio.

Leonardo: É um desafio enorme. Falamos de mais de 30 mil fornecedores credenciados no Brasil, com curadoria constante para que atendam à expectativa do cliente. Ninguém quer parar o veículo, mas quando para, temos que entregar a melhor experiência. Por isso classificamos a rede, com uma camada chamada prioridade máxima: oficinas com custo adequado, melhores preços nos principais itens, mão de obra e SLA acordados, avaliadas todo mês. E as plataformas são integradas: orçamento aprovado no sistema, histórico de manutenção, aprovação online e recolha das notas, com o XML alimentando o ERP do cliente. Isso dá tranquilidade para crescer sem aumentar a estrutura.

Júlio: O credenciamento com selo é um trabalho de curadoria: vocês garantem boa estrutura, profissionais bem formados, atendimento ético e peças homologadas. Não é só a manutenção, é que tipo de peça se coloca. O fabricante opta sempre pelo equipamento mais seguro possível, mas nem sempre o de fábrica é o ideal para o padrão de uso a que o carro será submetido, como no caso do filtro de ar. Eu não levo o carro na oficina mais barata, levo na que confio, e não barganho a peça mais frágil para economizar, porque isso reduz a vida útil do componente. Cobertura nacional e confiança são fundamentais, tanto para a empresa quanto para a pessoa física, e ter o selo de uma grande empresa por trás dá confiança extra de que o carro vai continuar rodando. Veículo parado não gera dinheiro em nenhum segmento.

01:05:30  Como segurança e sustentabilidade se conectam na frota?

Leonardo: No quinto bloco, falamos de sustentabilidade na prevenção de acidentes. Júlio, como a sustentabilidade impacta a segurança da frota?

Júlio: O tema ESG vai além do relatório anual, é prática do dia a dia. O segmento automotivo é o segundo maior emissor, então o nível de emissões importa, e ele depende muito da manutenção: na utilização real, um carro mal mantido não entrega a emissão para a qual foi certificado. A escolha do combustível também conta. O etanol é um combustível sustentável que praticamente anula as emissões no balanço global, embora em estrada ofereça menos autonomia pelo poder calorífico, o que é uma escolha de equilíbrio para o frotista. Há ainda a eletrificação, interessante por não ter emissão local e por aquecer menos o ambiente, com custo de rodagem que pode ficar abaixo de 10 centavos por quilômetro e menor desgaste de peças. E os híbridos plenos, que não dependem de tomada, facilitam para quem não tem recarga por perto. Nem sempre cabe um elétrico, mas sempre pode caber o veículo mais econômico e de menos emissões.

Leonardo: Gladson, como vocês pensam esse tema?

Gladson: Temos clientes com metas de ESG para quem a eletrificação ainda não é realidade. Nesse caso, o plano de manutenção preventiva cumprido à risca é um fator ambiental importante: um carro bem mantido polui menos, consome menos combustível e reduz emissões. Há também o menor descarte de peças, menos produção e menos lixo, e o descarte correto de óleo, filtros e insumos. Isso pode ser um projeto ambiental dentro do ESG, além de reduzir custo. Somos parte de um todo, e a manutenção salva vidas. Não há nada mais ESG do que isso.

Júlio: ESG não é só sustentabilidade, é também governança. E aqui as empresas podem cooperar: ainda há grandes frotas sem uma política de frota clara para o condutor. É básico definir como usar a ferramenta, de quanto em quanto tempo pará-la e como agir em caso de incidente. Às vezes a empresa contrata o colaborador pensando só em faturamento, coloca ele na rua sem treinamento, e falta essa responsabilidade social.

01:20:38  Quais são as tendências para a segurança viária?

Leonardo: Conectando com o sexto bloco: tendências para a segurança viária. Como a sociedade e as empresas podem contribuir? E como acabar com a normalização desse número de mortes no trânsito?

Júlio: O frotista deve investir em direção defensiva, porque se economiza em tudo: vidas, danos ambientais e poluição. O padrão de direção é central. E os objetivos da empresa não são ditados só pela diretoria, são de todo o corpo da empresa; cabe à liderança aplicar governança pelo bom exemplo. Treinar o motorista é mais econômico para a empresa, para o meio ambiente e ainda colabora com a segurança.

Gladson: Eu incluiria a tecnologia. Participei de um treinamento de direção defensiva em que o instrutor falou muito sobre não usar celular ao dirigir, e ao sairmos para almoçar, ele pegou o carro e usou o celular na hora, sem perceber, porque o celular virou extensão do corpo. A tecnologia ajuda nisso: uma ferramenta que filma o motorista, detecta fadiga, emite alerta e pede para encostar. Você pode dar curso e ter cultura, mas o condutor pode não ter dormido bem, e isso foge do controle. A união entre cultura de segurança, tecnologia, treinamento, educação e fiscalização é o que minimiza os acidentes. A meta da Volvo de zerar mortes é ousada, mas factível, e mostra o caminho.

Júlio: A evolução tecnológica é impressionante. O Brasil sempre viveu um descompasso de exigência de segurança. Na virada de 2013 para 2014, fizemos um especial premiado porque passaram a ser exigidos ABS e airbags. O ABS evita o travamento das rodas e permite manobra de emergência; o airbag é segurança passiva que mitiga ferimentos, inflando em milissegundos. Depois veio o cinto de três pontos obrigatório para todos os passageiros, invenção da Volvo de mais de 60 anos atrás. Hoje há carros que freiam automaticamente para pedestres e ciclistas, detector de fadiga e controle eletrônico de estabilidade, que impede a derrapagem. São equipamentos que poupam patrimônio e, principalmente, salvam vidas. Ter o carro mais seguro nem sempre é muito mais caro para o frotista, e a economia principal é a vida do funcionário e de quem está ao redor.

01:32:31  Mensagem final

Leonardo: Somos responsáveis também por salvar vidas no trânsito. Fica a reflexão que o Gladson trouxe: não pode ser automático pegar o celular ao dirigir. Agradeço ao Gladson, parceiro de muitos anos, e ao Júlio, pela expertise. Foi um tema muito relevante. E a você que nos assiste, muito obrigado.

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